Entrevistas

Da luta estudantil à vice prefeitura da cidade com o maior PIB per capita do Estado de São Paulo.

Quando se mudou com os pais para Louveira, Ricardo Barbosa de Souza não imaginava que teria o desafio, 26 anos depois, de ajudar a conduzir a cidade em um dos piores momentos da humanidade, devido à pandemia causada pelo Covid 19. Eleito vice-prefeito em 2020, na chapa com Estanislau Steck, seu colega na Câmara Municipal entre 2012 e 2016, afirma ter como foco o diálogo com as pessoas e a inovação na gestão pública.

Administrador, comerciante, porta voz municipal do partido Rede Sustentabilidade, católico praticante, solteiro, sem filhos, tio e flamenguista. Aos 44 anos de idade, integra uma geração de novos jovens políticos da região.

O Jundiaí 365 conversou com Ricardo. Confira a entrevista!

Muitas vezes o vice-prefeito não tem um papel ativo no dia a dia da prefeitura. Qual é seu trabalho nesta gestão?

Fui vereador com Estanislau Steck e nos tornamos amigos. Esse alinhamento me dá a responsabilidade de não medir esforços para ajudá-lo a transformar Louveira. Além de acompanhá-lo em vistorias a equipamentos públicos, reuniões com servidores, secretários e comunidade, meu gabinete tem as portas 100% abertas como elo entre as demandas do cidadão e o governo.

Tenho atendido as pessoas desde o primeiro dia através de todos os canais possíveis, seja por meio das redes sociais, pelo meu WhatsApp pessoal, telefone e na prefeitura. Essa proximidade com o cidadão é minha principal ferramenta para cumprir meu trabalho de ajudar o prefeito Estanislau a gerir todo o governo.

Você visitou a prefeitura de Jundiaí logo que assumiu, acompanhado de alguns secretários. Qual foi o objetivo?

Tenho a inovação como foco e fomos conhecer como Jundiaí trabalha com o conceito de Smart City. Louveira tem um dos melhores orçamentos per capita do país, mas passamos muitos anos sem buscarmos nos transformarmos em uma cidade inteligente, com ferramentas como o aplicativo de Jundiaí que reúne mais de 120 funcionalidades para facilitar a vida do cidadão. Através dele é possível desde saber o itinerário de ônibus até marcar e desmarcar consultas médicas, por exemplo.

Acabamos de implantar aqui o “Louveira Educa”, reproduzindo as salas de aula em um ambiente digital, para que o aluno possa ter a qualidade do ensino garantida enquanto o isolamento for necessário devido ao combate ao Covid-19.
E fizemos isso ouvindo o professor, dando atenção ao feedback da comunidade durante a implantação, pois acreditamos que só é possível inovar conhecendo a fundo as necessidades de quem faz parte do processo.

Você citou o orçamento de Louveira, o maior PIB per capita do Estado. Uma das suas críticas a gestões anteriores é a acomodação diante desse caixa. O que de fato faltou e vocês se propõem a mudar?

Faltou justamente fazer mais com menos, criar processos mais dinâmicos, inovar. Tenho estudado muito a modernização da gestão pública. Há ferramentas como softwares e aplicativos, mas há também toda uma forma de pensamento, uma mudança cultural a ser renovada.
Precisamos estar mais preparados porque os desafios dos municípios sempre são maiores do que os recursos existentes e ainda podem surgir possíveis crises, diminuições de arrecadação de impostos e necessidade de investimentos não previstos, como na crise atual.

Qual o desafio de ser eleito durante uma das maiores pandemias da história?

Esse desafio e nosso sentimento diante dele não podem ser medidos em palavras. Como administrador de empresas, sei que grandes problemas exigem respostas rápidas. Como comerciante, sei o que cada minuto de portas fechadas significa para a saúde do negócio e até do dono e do funcionário do negócio.

Com esse espírito, agimos rápido retomando o cartão alimentação no valor de R$200,00 para seis mil famílias, que havia sido paralisado na gestão anterior. Entregamos mensalmente cinco mil cestas básicas. Iniciamos a entrega de um kit alimentação para seis mil alunos da rede municipal. Temos um programa significativo de ações em prol dos artistas. Estamos cadastrando comerciantes para a entrega de um auxílio no valor de R$3.000,00. Só o investimento nesse auxílio aos comerciantes chega a R$ 1,6 milhão.

Ações como a desinfecção dos bairros no período noturno são iniciativas que o município pode fazer para ajudar. A solução, porém, é a vacina, que infelizmente no Brasil demorou muito a ser viabilizada.
Tenhamos fé, solidariedade e façamos tudo o que estiver ao nosso alcance para voltarmos à normalidade, de preferência mais humanos, dando mais valor à vida e ao próximo.

Você e o prefeito Estanislau Steck foram vereadores. Qual sua relação com a Câmara Municipal?

Tornei-me vereador após participar do movimento estudantil, lutando por um direito dos estudantes universitários que havia sido cortado: transportá-los para faculdades em cidades vizinhas. Eu estudava, sabia o quanto esse apoio da prefeitura fazia diferença em nossas vidas.

Por representar diversos segmentos da população, a Câmara tem um papel fundamental de absoluta legitimidade. Fui um parlamentar combativo e, agora no Executivo, valorizo tanto sugestões quanto críticas. Buscamos o trabalho conjunto com a Câmara Municipal sem que ela perca sua devida independência.

Você pertence a uma geração de novos jovens políticos na região. Quais seus planos para o futuro?

Ajudar o prefeito Estanislau a fazer o melhor governo da história da cidade. Após superarmos essa terrível pandemia, poder olhar para traz e ter a consciência de que não medimos esforços para diminuir todo nosso sofrimento. Esse tempo fora da política, após cumprir meu mandato de vereador, me despertou a vontade de fazer a diferença, agora com mais experiência. Meu projeto político é dedicar minha vida à cidade onde me tornei o cidadão que sou hoje.

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